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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Pobres (e Copas da FIFA) sempre tereis

Amanhã começa a tão falada Copa da FIFA. Embora não a reconheça como torneio mundial, não é bem disso que pretendo falar. O que tem me irritado é o cansativo refrão dos que teimam em fazer alarde sobre os gastos com a construção dos estádios. O que há de legítimo em tamanha preocupação com o dinheiro público?
Pouco antes da condenação e crucifixão, Jesus passa por uma situação onde – segundo três do quatro evangelhos – é criticado por seus próprios discípulos. A narrativa, comum e, ao mesmo tempo, muito particular a cada um dos quatro evangelistas, está em Mt 26,6-13; Mc 14,3-9; Lc 7,36-50; Jo 12,1-8. Uma mulher (anônima, dizem os sinóticos; pecadora, segundo Lucas; Maria, irmã de Lázaro e Marta, afirma João) unge a cabeça (ou os pés?) do Nazareno com um óleo caríssimo (nardo, perfume ou mirra?). Alguém (sejam os discípulos, o anfitrião, ou mais especificamente Judas Iscariotes) condena a atitude da mulher mas, principalmente, a conivência do Mestre. Exceto Lucas, a queixa é a mesma: daria para construir hospitais... digo... daria para transformar esse óleo em dinheiro – muito dinheiro – e doá-lo aos pobres. Hum... Acusação similar à de um certo refrãozinho, não!?
Num primeiro momento, a resposta de Jesus parece de um conformismo extremamente oposto ao que vinha pregando até então: “Os pobres sempre estão (estiveram e estarão) com vocês!” Por um lado, somos levadas e levados a crer que não importa o que façamos para melhorar as coisas: sempre haverá pobres em nosso meio. Mas, por outro lado – e aí é necessário pôr em prática o senso crítico para se chegar a esta conclusão – a frase enigmática do Messias pode estar a nos provocar: os pobres sempre estiveram aí, e vocês nada fizeram por eles; por que, agora, tamanha preocupação?
Paremos pra pensar em quem mais repete este refrão. Não é a oposição ao governo que está aí? E essa mesma oposição não era governo até outro dia? Essa mesma oposição não esteve anos e anos no poder? O que fizeram pelos pobres? Onde estão os hospitais e escolas que eles construíram? João, que põe a queixa contra Jesus e a mulher na boca de Judas Iscariotes, é quem melhor explica o real motivo para tanto alarde. Segundo ele, Judas era o chefe do Congresso... digo... o responsável pela bolsa comum. Com a venda do óleo, o dinheiro depositado nela poderia ser embolsado facilmente. Entendido por que tanto chororô?
Ok, sejamos francos: a construção dos estádios não tem uma função tão nobre quanto a do óleo (seja lá qual tenha sido) que ungiu Jesus. Dilma e Lula, aliás, estão longe de ser o Messias. Mas vamos procurar entender por que a oposição está fazendo tanto barulho em relação a isso. E vamos procurar pautar a crítica sobre esse megaevento pela ótica popular. É nossa missão, como anfitriões, perguntar o que essa Copa vai nos trazer e o que vai levar de nós. Alguém aí já assistiu O Banheiro do Papa? A história é interessante (clique aqui para ver o filme). Uma cidade uruguaia muito pobre, fazendo fronteira com o Brasil, prepara-se para receber a visita do Papa. A expectativa é muito grande, principalmente porque, atrás dele, virá uma multidão de brasileiros. Os uruguaios veem uma oportunidade de fazer dinheiro com o acontecimento. O protagonista, um homem muito humilde, resolve construir um banheiro. Espera alugá-lo para os romeiros. Gasta as parcas economias da família no investimento. Chegado o grande momento, a visita dura poucos instantes, ninguém lucra nada e, quando estão indo embora, os brasileiros ainda deixam atrás de si uma grande desordem e sujeira. Aos nativos resta limpar a bagunça. Para este senhor, pai de família, a situação é ainda pior, pois gastou o que não tinha e não obteve nenhum retorno. Será que não estamos indo para o mesmo caminho? Há pouco tempo, uma camiseta publicitária sugeria facilidades para o turismo sexual em nosso país. De que forma podemos nos precaver do turismo predatório? Os nossos pobres estão sendo despejados para “embelezar” as áreas por onde deverão passar os turistas e delegações. Como garantir que sejam devida e dignamente realocados? Há centenas de pessoas voluntárias trabalhando em função da Copa. Será que não se faz necessário também um voluntariado para combater, entre outros, o ambiente facilitado para o tráfico humano? A FIFA escolheu o tatu-bola como mascote da Copa 2014. Você sabia que ele é um animal com risco de extinção? Que tal solicitarmos à FIFA que aproveite o ensejo para motivar uma campanha de preservação da espécie? Essas são só algumas questões. Ao ler estas linhas, tenho certeza de que você poderá enriquecer a lista com preocupações e precauções. Mas o principal é nos perguntarmos: como combater a prática exploratória externa (a entidade FIFA e tudo o que vem junto com ela) e interna (caso dos nossos Judas Iscariotes) que oprimem e empobrecem ainda mais o nosso povo?
É disso que se trata, afinal. Como vimos, os textos bíblicos não concordam em praticamente nada. Nem em quem eram os anfitriões. No texto de João, são os irmãos Maria, Marta e Lázaro. Em Marcos e Mateus, é um tal de Simão, o leproso. Só para constar, leproso é também o significado do nome Lázaro. Mas Lucas, para garantir definitivamente o nó na nossa cabeça, nada fala sobre a doença e diz que esse Simão é um fariseu. Entretanto, apesar de tantas divergências, num ponto todos concordam: Jesus estava em Betânia, que significa “Casa dos Pobres”. Que lugar interessante para afirmar que os pobres sempre estarão conosco. É como se Ele dissesse: Só agora vocês repararam que os pobres existem? Vocês querem hospitais e escolas para eles; mas já se perguntaram o que eles querem? Vocês costumam frequentar Betânia, isto é, a casa dos pobres? Vocês conhecem a realidade dessa gente? Ou seja, quando Cristo diz que os pobres estão em nosso meio, Ele também quer perguntar: E vocês? Estão com (a FIFA ou com) os pobres?

domingo, 22 de julho de 2012

SOBRE BLOGs E FUTEBOL


Mais um canal que se vai! A partir de hoje, tenho oficialmente um blog só. Eu adorava a aparência do meu espaço de reflexões futebolísticas. Mas parece que só a torcida do Corinthians concordava comigo. É uma pena...

O nome não era inspirado na obra homônima de Dom Paulo Evaristo Arns à toa. Assim como o santo Bispo (este, sim, merece o título com inicial maiúscula), que em seu livro discute futebol, política e religião a partir de seu time do coração, a proposta do blog “corintiano-gracasadeus” era partir da paixão por um clube, transcendendo-a e rompendo com o senso comum (e alienante) sobre esse esporte tão popular. Mas o tiro saiu pela culatra. Fazer o quê?

Enfim... Pelo menos, agora centralizo tudo aqui em “opedaletra”. Tá, tudo bem... Costumo postar também no blog da minha filhota mais nova, a Bruna. Mas, lá, o espaço é dela. Aqui, mais do que nunca, será o espaço para expressar realmente tudo o que eu penso. Falando nisso, vamos à reflexão de hoje. Futebolística, por sinal.

ACABAR COM O FUTEBOL

Vamos acabar com o futebol? Afinal, é um esporte que aliena o povo. Enquanto você torce pelo seu time, a classe política deste país trama suas maracutaias. É a versão mais moderna possível do “pão e circo” (sem pão, aliás, que a farinha está pela hora da morte). Tem sido assim desde a Copa de 70. Enquanto a massa fica parada, na frente da TV, os que lutam por um mundo melhor são perseguidos, torturados e exterminados. Depois do escândalo da arbitragem, em 2005, que revelou uma prática de resultados arranjados; dos investimentos da MSI no Corinthians, cujo objetivo era a lavagem de dinheiro da máfia russa; das transferências milionárias de jogadores (que interesses movem tanta grana?); depois de tudo isso, alguém ainda pode levar a sério o futebol profissional?

Aproveitemos o ensejo e acabemos com a internet. Ok, ok... Não vamos radicalizar! Eliminemos somente as redes sociais: o facebook, por exemplo. Enquanto você fica aí postando banalidades, sacaneando os amigos, cantando guriazinhas de perfil com “fotinho de Orkut”, discutindo os direitos dos animais, marcando o churrascão da gente diferenciada, grupos de extermínio continuam atuando impunemente pelas praças, esquinas e viadutos. Ativista virtual, abre teu olho! É muito fácil criticar por trás de um teclado.

Pensando bem, a cerveja também podia entrar na dança. Tudo bem que é um artigo indispensável nas reuniões informais de muitos grupos ditos libertários, progressistas. Há quem defenda que os verdadeiros encontros fraternos são os etílicos. Quanta bobagem... É ou não é verdade que, em boa parte dos casos de violência, a bebida alcoólica é o grande vilão? Beber sem moderação? Quem acredita nisso? Seja decretado o fim da cerveja estupidamente gelada já!

E o sexo? Fala sério... Tanta promiscuidade, tantas doenças, tanta mãe solteira, tantos jovens se iniciando cada vez mais cedo, sem proteção, sem se importar com as consequências... Vamos acabar com essa prática espúria urgentemente!

O quê? Peguei pesado? O problema não está no sexo, mas no ato inconsciente e/ou irresponsável? A prática sexual é saudável e prazerosa? A internet é boa porque encurta distâncias, propaga melhor as ideias, socializa lutas e resistências? A bebida alegra o coração e é inofensiva em doses controladas?

Mas, mas... Será que, por causa de alguns beneficiozinhos, vale a pena manter essas práticas alienantes?

Ah, entendi... Acabar com o sexo nem pensar! Como? Você já se imaginou sem sexo, mas não abre mão da cerveja? O quê??? Não abre mão das amizades virtuais? Ah, sim... Mas com o meu futebol, um dos meus momentos mais intensos de lazer, você quer acabar, né!?

Pois, então, permita que eu lhe diga, com todo respeito... “NEM A PAU, JUVENAL!!!”

Futebol também é saúde, também é uma atividade prazerosa, também pode aproximar as pessoas. Não é o esporte que torna as pessoas boas ou más. Antes, é o caráter delas que torna a prática saudável ou não. Existem esquemas, corrupção? Foi no futebol que surgiram essas práticas? Os campeonatos alienam? Como os imperadores antigos conseguiam dominar seus súditos antes dessa interessante criação dos ingleses? Incita a violência? O que dizer do MMA de Anderson Silva? E as gangues rivais, que marcam encontros pela internet unicamente com o intuito de se confrontarem?

Já deu pra entender, né!? A falta de engajamento político, de compromisso com o bem-estar social, a violência e a corrupção, tudo é uma questão cultural. O fim do futebol só fará mudar o foco do problema, pois não afetará as causas.

Ninguém fica mais ou menos ativista porque torce para um time. Ainda que surjam discussões apaixonadas sobre uma partida ou resultado, quem tem consciência política continuará lutando por aquilo em que acredita. Já, quem não é de luta, ficará indiferente antes, durante e depois de seu time entrar em campo.

Então, da próxima vez que quiser acabar com alguma coisa, vamos acabar com a fome, a miséria, a violência, o descaso com a saúde pública, a falta de saneamento básico e outras condições necessárias para que as pessoas possam levar uma vida digna. Eu tô junto!!! Mas não mexa no meu futebol.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Começando a 'P'rosa

Olá, 'p'essoas!


Sou o 'P'ossato Jr. e, por este blog, pretendo tratar de todas as minhas 'p'aixões. O objetivo é escrever sobre tudo o que gosto e 'p'enso, indo sempre direto ao 'p'onto.


Além de 'p'ai de família, 'p'aulista e funcionário 'p'úblico, sou 'p'romotor da leitura 'p'opular juvenil (pelo CEBI) e 'p'ejoteiro. Em breve, também 'p'rofessor de Língua 'P'ortuguesa.


Quero, ainda, encontrar espaço aqui para falar de futebol (mas engana-se quem pensa que eu sou 'p'almeirense; eu sou corinthiano, viu!?).


Enfim... sendo em 'p'rosa ou 'p'oesia, eis-me aqui!


Respeitável 'p'úblico, com vocês: O 'P' DA LETRA.